13/08/2022

Clique aqui para ler a coluna Responsabilidade Social e Ética, o artigo Vestir azul, por Lucila Cano.

 



Maurício Azêdo e Audálio Dantas
os ideais e da determinação de um jovem jornalista, nasceu a Associação Brasileira de Imprensa. No início do Século XX, o catarinense Gustavo de Lacerda, sonhava com uma entidade capaz de abrigar todos os trabalhadores da imprensa, assegurando os direitos assistenciais a toda classe jornalística. De uma pequena sala do jornal O Paíz, no Rio de Janeiro, onde trabalhava, Lacerda se reunia com seus colegas de redação, como Mário Galvão e Amorim Júnior, para discutir e rascunhar os primeiros traços da entidade que daria origem à ABI. Teria que ser uma entidade única, referencial, marcada pela neutralidade e que servisse de paradigma para outras instituições semelhantes que a partir dela, surgiriam por todo o Brasil.
A construção de seus alicerces foi inspirada em modelos europeus como o da Associação Sindical Profissional dos Jornalistas Republicanos Franceses; Associação dos Jornalistas Parisienses; Sindicato da Imprensa Parisiense e a Associação Sindical de Imprensa.
E foi assim que em 7 de abril de 1908 foi criada a Associação Brasileira de Imprensa que por duas décadas, acomodou-se modestamente. Somente nos anos 30, sob a liderança de Herbert Moses, a entidade ganharia sua sede própria, espaço que representaria não só um marco na arquitetura moderna brasileira, mas se constituiria num celeiro da intelectualidade nacional. Por ali era comum esbarrar-se com verdadeiros mitos de nossa cultura como o maestro Heitor Villa Lobos. Fiel aos seus ideais de imparcialidade e de garantia da liberdade de expressão e pensamento, a sede da ABI serviu, também, de cenário para importantes figuras da política nacional e internacional, como os presidentes Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, o senador americano Robert Kennedy e o líder cubano Fidel Castro.
Pelos portões da Associação passaram importantes nomes da imprensa e da história brasileira, como Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho, homem inspirado por ideais nacionalistas e que via sua profissão como um meio de levar a população brasileira à conscientização política e social. Por três vezes, foi presidente da entidade, a primeira delas em 1926, aos 29 anos de idade. Desde o início de sua trajetória, à frente da ABI, Barbosa Lima Sobrinho revelou-se homem extremamente dinâmico e determinado: reformou os estatutos da entidade, regulamentou a concessão da carteira de jornalista e promoveu a integração dos jornalistas de todo o País por meio de intercâmbio da Associação, com as associações de imprensa dos Estados brasileiros. A partir de 1964, quando iniciou seu segundo mandato, defendeu veementemente a liberdade de imprensa neste que foi um dos períodos mais difíceis da história brasileira, marcando posição firme ao lado dos profissionais de imprensa que sofreram perseguição ideológica e dos familiares dos desaparecidos políticos. Foi um exemplo e uma inspiração a essa entidade centenária que, por seu posicionamento inflexível ante os regimes totalitários, sofreu atentado terrorista em 1976 quando todo o 7º andar do seu edifício-sede foi destruído.
Foi também sob o comando de Barbosa Lima Sobrinho que no dia 28 de setembro de 1988 a ABI protagonizou um dos mais importantes momentos da história do Brasil, abrigando a última reunião do Conselho Federal de Censura, extinto pela nova Constituição. Naquele mesmo dia, o Presidente José Sarney assinava o decreto instituindo o Conselho de Defesa da Liberdade de Criação e de Expressão, para o qual foram designados representantes da ABI.
Hoje, ao completar um Século de existência, a Associação Brasileira de Imprensa é uma entidade que se renova cotidianamente, se adapta e continua a influenciar os caminhos do jornalismo e da sociedade do Brasil. Sob o comando do seu atual presidente, o jornalista Maurício Azêdo, a entidade avança nos seus ideais de valorização do profissional de imprensa e de integração com suas várias representações espalhadas pelo nosso território. Recentemente, a partir de sua Representação São Paulo, que têm à frente o jornalista Audálio Dantas, a ABI realizou o 1º Salão do Jornalista Escritor, evento pioneiro e consagrado pela crítica e pelo público. Foi mais uma prova do seu constante empenho na valorização da atividade jornalística, na aproximação entre profissionais formados e estudantes, no convívio com o grande público e no respeito e incentivo à cultura nacional.
Por ser uma marca sempre presente nos momentos mais importantes da história brasileira, emprestando seu prestígio, saindo em defesa do Estado de Direito e contribuindo de forma relevante para o processo de democratização é que a Mega Brasil e os profissionais da Comunicação Corporativa prestam uma justa homenagem aos 100 Anos da Associação Brasileira de Imprensa, concedendo o Prêmio Personalidade da Comunicação 2008 ao seu presidente, Maurício Azêdo, e ao seu vice-presidente, Audálio Dantas.

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