3/9/2010

No artigo Telemarketing, a colunista Thais Alves afirma que a maior dificuldade de quem trabalha pelo telefone é se relacionar com o cliente: ouvindo-o. Segundo a colunista, se os jovens que trabalham com isso fossem instruídos a ouvir antes de falar, metade das queixas estariam resolvidas e as dúvidas solucionadas.
Para ler a coluna Comunicação e Imagem, CLIQUE AQUI


Na coluna Marketing Direto, Nelise Zymberg fala da importância de manter o telefone dos clientes atualizado. Segundo a colunista, por muito tempo as empresas atualizavam apenas os dados para endereçamento postal, depois o interesse aumentou para o número do telefone comercial para envio de fax e em seguida o endereço de e-mail.
Para ler o artigo Relacionamento por telefone, CLIQUE AQUI

Eleno Mendonça
As idéias expressas pelo autor não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal da Comunicação Corporativa e de seus editores.

Somos todos apaixonados pelo JB jornal
01/09/2010 - 09:25:43

O último dia de um jornal é muito melancólico. Imaginar que amanhã você não mais vai receber em casa, nem ver nas bancas. Me lembro de alguns títulos que se perderam no tempo, como Última Hora, Popular da Tarde, Gazeta Esportiva. Mas, nos anos 70, 80, 90 alguém poderia imaginar que esse seria o destino do JB? Pois o tradicional jornal, ou o que restou dele, deu ontem seu último suspiro, escafedeu-se, virou um site assim como tantos outros, montados às pressas, sem conteúdo, feito à base do gilete press, com meia dúzia de gatos pingados.
Trabalhei no Jornal do Brasil ainda nos bons tempos, por três anos, na Sucursal de São Paulo. O diretor era o Beto Sardemberg, depois o Marcelo Pontes. A chefia da sucursal era da Célia Chaim e eu, que entrei como coordenador de economia, seis meses depois era o chefe de reportagem. Só que naquela concepção, caía no samba todos os dias. Tinha de sair, telefonar, apurar, escrever várias matérias por dia. Mas era um tempo glorioso, uma equipe que tinha Vasconcelos Quadros, Ricardo Kotscho, Luiz Paulo Lima, Humberto Werneck, Wagner Barreira, Roberto Baschera, Zelão, José Maria Mayrink, Evanildo da Silveira, Nilton Horita, Karina Pastore e tantos outros que não me esqueço mas que fariam aqui uma lista interminável. Quando a Célia foi ter seu filho, fiquei cuidando de praticamente tudo. Era um peso enorme, período do impeachment de Collor, de muito escândalo. Mas na retaguarda, no Rio, havia uma equipe fantástica.
O espírito de todos era o mesmo. Éramos amantes da notícia, das pretinhas, do trabalho. Éramos apaixonados pelo JB. Trabalhávamos sempre muito, mais de 12 horas por dia e saíamos felizes, como se fosse possível encarar tudo de novo. Era algo feito com prazer. Algo que sempre repercutia, que sempre virava pauta e mudava ou ajudava a mudar o rumo das coisas.
Tinha o pingue da página 13 nos fim de semana, a revista Domingo, a coluna do Castelo. Tinha o tradicional “L” gráfico que revolucionou o meio jornal nos anos 60. Tinha liberdade de se criar e de se apurar. O pessoal do JB quase não precisava de pauta, era uma turma que andava com as próprias pernas, que tinha idéias e as coisas funcionavam. No meu tempo não cheguei a passar por períodos difíceis, mas pouco tempo depois começaram os atrasos, as constantes trocas na redação, os desmandos. Deu no que deu. Acharam que era possível separar o nome do resto. Era como separar a cabeça do corpo. Não deu.
O JB se vai, mas não me venham com o motivo de que perdeu para a internet. O caso JB é específico. Perdeu para sua estrutura, para suas dívidas, para a sua falta de tino jornalístico. Um jornal, fica provado, não se sustenta apenas num nome. Precisa ter alma de jornal, gente de jornal, dedicação de jornal. Faltou tudo isso. Infelizmente.



Eleno Mendonça Fale Comigo Artigos Anteriores
Busca