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No artigo Telemarketing, a colunista Thais Alves afirma
que a maior dificuldade de quem
trabalha pelo telefone é se relacionar com o cliente: ouvindo-o. Segundo a colunista, se os jovens
que trabalham com isso fossem instruídos a ouvir antes de falar, metade das
queixas estariam resolvidas e as dúvidas solucionadas. Para ler a coluna Comunicação e Imagem, CLIQUE AQUI
Na coluna Marketing
Direto, Nelise Zymberg fala da
importância de manter o telefone dos clientes atualizado. Segundo a colunista, por
muito tempo as empresas atualizavam apenas os dados para endereçamento postal,
depois o interesse aumentou para o número do telefone comercial para envio de
fax e em seguida o endereço de e-mail. Para ler o artigo Relacionamento por telefone, CLIQUE
AQUI
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| As idéias expressas pelo autor não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal da Comunicação Corporativa e de seus editores. |
Pior do que tá não fica
27/08/2010 - 09:12:25
As doutrinas murcham, as utopias desaparecem, a alienação
se expande e a política se escancara para abrigar quem dela quer fazer uma
profissão e até figuras que a usam como mote para fazer piada. O conceito que a
política alcançou entre nós chega ao fundo do poço com esta pergunta ao
eleitor feita pelo palhaço Tiririca, candidato nesta eleição: "O que é que
faz um deputado federal?" E ele mesmo responde: "Na realidade, não
sei. Mas vote em mim que eu te conto." Ninguém se deve surpreender se este
candidato conseguir os votos necessários para fazer chiste no palco do
Congresso Nacional, onde se poderá juntar a outros representantes que fizeram
ou ainda fazem sucesso com suas habilidades na esfera dos esportes, das artes e
dos divertimentos.
Afinal, por que o pleito deste ano, mais do que outros, coopta figuras não tão
integradas ao mundo da política, como Maguila, Moacir Franco (que já
frequentou a arena parlamentar), Ronaldo Esper, Netinho de Paula, Marcelinho
Carioca, Romário ou a pleiteante conhecida como Mulher Pera?
De duas, uma: ou os novos atores políticos foram compelidos a ingressar no
espaço público para cumprir relevante missão a serviço de coletividades que
representam - e, se for esse o motivo, devem ser aplaudidos - ou a opção se
deve ao esgotamento do ciclo profissional e ao vislumbre de uma carreira sob as
luzes da democracia representativa. Seja qual for o motivo, o ingresso de
celebridades no universo político merece reflexão, por assinalar, de certa
forma, o estágio de desenvolvimento social, cultural e político de um povo. A
razão para profissionais de outros nichos ingressarem no mundo da política tem
que ver com a eleição de uma figura de origem humilde para o cargo mais
importante da Nação? Será que, com sua ascensão, Lula teria aberto o caminho
para qualquer pessoa, da mais simples é mais elevada, sentir-se motivada
a pleitear os postos eletivos da República?
É razoável inferir que a escolha de um ex-metalúrgico para presidir a Nação
pode ter contribuindo para promover a autoestima de milhões de cidadãos, mas,
sob o prisma da relação entre celebridade e política, há componentes quiçá
mais apropriados para explicar o fenômeno. O sociólogo francês Edgar Morin, em
clássico estudo sobre o comportamento da sociedade contemporânea, descreve o
Olimpo da cultura de massas, onde sobressaem artistas, reis, rainhas,
princesas, esportistas, mandatários, enfim, uma constelação de astros de todos
os espectros que, por seu desempenho nos ambientes social, cultural, artístico
e político, ganham ampla visibilidade. E por pertencerem a um seleto mundo,
expostas é fosforescência das médias, tais celebridades compõem uma
identidade dual, humano/divina, tornando-se figuras modelares em que se
espelham as massas. Assim, o anônimo nas multidões distingue o olimpiano como
um ícone no altar da admiração. Em seu cotidiano, procura exercitar a
imaginação, identificando-se com atitudes, gestos e gostos dos ídolos
admirados, neles projetando valores e princípios de conduta.
Enxertemos, agora, a "galeria idolatrada" no universo da política.
Que tipo de reação se pode esperar da massa senão a busca do autógrafo, a
liturgia dos apertos de mão, abraços e beijos, a necessidade psicológica de
interação espiritual entre "adoradores e adorados"? Abraçar o artista
no auge de sua fama significa, para um "pobre mortal", partilhar,
mesmo que por segundos, de um cantinho no Olimpo. Donde se chega à ilação: sem
demérito para partido e figurantes, celebridade que se candidata a cargo
eletivo funciona como anzol de pesca do eleitorado. Quanto mais famosa, mais
eleitores arrebanhará, adensando siglas. Votações maiores puxam e elegem
candidatos de diminuta expressão. Ao lado desse aspecto, que desvenda
estratégia de esperteza e oportunismo, a expansão da participação de artistas e
esportistas em campanhas eleitorais aponta, igualmente, para a deterioração dos
padrões políticos.
Plagiam-se propostas, troca-se a ética pela estética e até a imitação da voz de
artistas é usada para capturar a atenção de eleitores e conquistar seu voto.
Essa é uma faceta rasteira que denota a banalização da política e da
despolitização da sociedade. Se o País conseguiu alterar a fisionomia da
pirâmide social, com a inserção de cerca de 25 milhões de brasileiros no
mercado de consumo, exibe hoje performance desastrosa na frente política,
caracterizada, sobretudo, pela privatização da esfera pública. "O poder é
meu e eu faço com ele o que quiser." Eis a síntese do ideário que
prevalece nestes tempos que exaltam a continuidade.
Quase oito anos depois, o Brasil patina na pista da política. A economia
estabilizou-se, a inflação foi domada, os movimentos sociais se organizaram, a
renda passou a ser distribui da aos mais carentes e a vida até ficou mais
cômoda para os bolsos. A política, porém, continua velha. E a abrigar, de modo
passivo, o canhestro desfile nos programas eleitorais de cacarecos, quadros
debochados, estroinas e oportunistas. O slogan do palhaço Tiririca soa como
profecia: "Pior do que tá não fica."
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