3/9/2010

No artigo Telemarketing, a colunista Thais Alves afirma que a maior dificuldade de quem trabalha pelo telefone é se relacionar com o cliente: ouvindo-o. Segundo a colunista, se os jovens que trabalham com isso fossem instruídos a ouvir antes de falar, metade das queixas estariam resolvidas e as dúvidas solucionadas.
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Na coluna Marketing Direto, Nelise Zymberg fala da importância de manter o telefone dos clientes atualizado. Segundo a colunista, por muito tempo as empresas atualizavam apenas os dados para endereçamento postal, depois o interesse aumentou para o número do telefone comercial para envio de fax e em seguida o endereço de e-mail.
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Gaudêncio Torquato
As idéias expressas pelo autor não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal da Comunicação Corporativa e de seus editores.

Pior do que tá não fica
27/08/2010 - 09:12:25

As doutrinas murcham, as utopias desaparecem, a alienação se expande e a polí­tica se escancara para abrigar quem dela quer fazer uma profissão e até figuras que a usam como mote para fazer piada. O conceito que a polí­tica alcançou entre nós chega ao fundo do poço com esta pergunta ao eleitor feita pelo palhaço Tiririca, candidato nesta eleição: "O que é que faz um deputado federal?" E ele mesmo responde: "Na realidade, não sei. Mas vote em mim que eu te conto." Ninguém se deve surpreender se este candidato conseguir os votos necessários para fazer chiste no palco do Congresso Nacional, onde se poderá juntar a outros representantes que fizeram ou ainda fazem sucesso com suas habilidades na esfera dos esportes, das artes e dos divertimentos.
Afinal, por que o pleito deste ano, mais do que outros, coopta figuras não tão integradas ao mundo da polí­tica, como Maguila, Moacir Franco (que já frequentou a arena parlamentar), Ronaldo Esper, Netinho de Paula, Marcelinho Carioca, Romário ou a pleiteante conhecida como Mulher Pera?
De duas, uma: ou os novos atores polí­ticos foram compelidos a ingressar no espaço público para cumprir relevante missão a serviço de coletividades que representam - e, se for esse o motivo, devem ser aplaudidos - ou a opção se deve ao esgotamento do ciclo profissional e ao vislumbre de uma carreira sob as luzes da democracia representativa. Seja qual for o motivo, o ingresso de celebridades no universo polí­tico merece reflexão, por assinalar, de certa forma, o estágio de desenvolvimento social, cultural e polí­tico de um povo. A razão para profissionais de outros nichos ingressarem no mundo da polí­tica tem que ver com a eleição de uma figura de origem humilde para o cargo mais importante da Nação? Será que, com sua ascensão, Lula teria aberto o caminho para qualquer pessoa, da mais simples é  mais elevada, sentir-se motivada a pleitear os postos eletivos da República?
É razoável inferir que a escolha de um ex-metalúrgico para presidir a Nação pode ter contribuindo para promover a autoestima de milhões de cidadãos, mas, sob o prisma da relação entre celebridade e polí­tica, há componentes quiçá mais apropriados para explicar o fenômeno. O sociólogo francês Edgar Morin, em clássico estudo sobre o comportamento da sociedade contemporânea, descreve o Olimpo da cultura de massas, onde sobressaem artistas, reis, rainhas, princesas, esportistas, mandatários, enfim, uma constelação de astros de todos os espectros que, por seu desempenho nos ambientes social, cultural, artístico e polí­tico, ganham ampla visibilidade. E por pertencerem a um seleto mundo, expostas é  fosforescência das mé­dias, tais celebridades compõem uma identidade dual, humano/divina, tornando-se figuras modelares em que se espelham as massas. Assim, o anônimo nas multidões distingue o olimpiano como um í­cone no altar da admiração. Em seu cotidiano, procura exercitar a imaginação, identificando-se com atitudes, gestos e gostos dos í­dolos admirados, neles projetando valores e princí­pios de conduta.
Enxertemos, agora, a "galeria idolatrada" no universo da polí­tica. Que tipo de reação se pode esperar da massa senão a busca do autógrafo, a liturgia dos apertos de mão, abraços e beijos, a necessidade psicológica de interação espiritual entre "adoradores e adorados"? Abraçar o artista no auge de sua fama significa, para um "pobre mortal", partilhar, mesmo que por segundos, de um cantinho no Olimpo. Donde se chega à ilação: sem demérito para partido e figurantes, celebridade que se candidata a cargo eletivo funciona como anzol de pesca do eleitorado. Quanto mais famosa, mais eleitores arrebanhará, adensando siglas. Votações maiores puxam e elegem candidatos de diminuta expressão. Ao lado desse aspecto, que desvenda estratégia de esperteza e oportunismo, a expansão da participação de artistas e esportistas em campanhas eleitorais aponta, igualmente, para a deterioração dos padrões polí­ticos.
Plagiam-se propostas, troca-se a ética pela estética e até a imitação da voz de artistas é usada para capturar a atenção de eleitores e conquistar seu voto. Essa é uma faceta rasteira que denota a banalização da polí­tica e da despolitização da sociedade. Se o Paí­s conseguiu alterar a fisionomia da pirâmide social, com a inserção de cerca de 25 milhões de brasileiros no mercado de consumo, exibe hoje performance desastrosa na frente polí­tica, caracterizada, sobretudo, pela privatização da esfera pública. "O poder é meu e eu faço com ele o que quiser." Eis a sí­ntese do ideário que prevalece nestes tempos que exaltam a continuidade.
Quase oito anos depois, o Brasil patina na pista da polí­tica. A economia estabilizou-se, a inflação foi domada, os movimentos sociais se organizaram, a renda passou a ser distribui ­da aos mais carentes e a vida até ficou mais cômoda para os bolsos. A polí­tica, porém, continua velha. E a abrigar, de modo passivo, o canhestro desfile nos programas eleitorais de cacarecos, quadros debochados, estroinas e oportunistas. O slogan do palhaço Tiririca soa como profecia: "Pior do que tá não fica."



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