10/9/2010

No artigo Ver e Ouvir, o jornalista Sérgio Lapastina continua a analisar pelo viés da Comunicação as lições do livro Sinal Verde, de Chico Xavier, pelo espírito de André Luis. Segundo o colunista, é necessário que os profissionais da comunicação aprendam a ver, ouvir, a falar e agir com mais moderação e com mais profissionalismo. Para ler a coluna Comunicação com todas as letras, CLIQUE AQUI


Na coluna A política como ela é desta semana, o jornalista e consultor político Gaudêncio Torquato fala sobre a mexicanização da política. Segundo o colunista, as possibilidades - reais - de controle total do Senado e da Câmara pelo Executivo, avocadas como sinais preocupantes por analistas da política, não são novidade no registro das relações entre os Poderes. Para ler o artigo México distante, CLIQUE AQUI

Eduardo Tessler
As idéias expressas pelo autor não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal da Comunicação Corporativa e de seus editores.

A vergonha européia
14/02/2008 - 09:31:28

A Europa sempre foi um exemplo de decência, de inovações e de modelos a serem copiados. Agora aparece no jornalismo europeu um caso que mancha a história vencedora de tantos e tantos jornais do continente, como o espanhol El País, o inglês The Times, o francês Le Monde ou o italiano Corriere della Sera.
Aconteceu em Portugal, na Ilha da Madeira.
A Madeira é uma ilha linda e bem desenvolvida, encravada no meio do Atlântico na altura do Marrocos, bem perto das espanholas Ilhas Canárias. De avião, a viagem desde Lisboa dura uma hora e 20 minutos. A ilha ficou famosa quando serviu de local de descanso e de inspiração para aquarelas para o inglês sir Winston Churchill. Hoje é o destino turístico preferencial de 9 entre 10 ingleses, holandeses e finlandeses de mais de 65 anos, pela tranqüilidade, beleza, paz absoluta.
Na Madeira existe jornalismo local. Os jornais de Lisboa também estão nas bancas, mas o preferido é o Diário de Notícias (da Madeira), com 131 anos de estrada, praticando um jornalismo local de qualidade e independência. Seu proprietário é o Grupo Blandy, uma empresa do ramo de hotelaria, turismo e vinho, que trata o jornal com enorme profissionalismo.
É claro que em um mercado pequeno e fechado, outros players também querem estar presentes. O concorrente principal do DN é o Jornal da Madeira, diário que pertence ao grupo do polêmico e às vezes clown presidente da Ilha, Alberto João Jardim. Bonachão, até inconveniente, esse personagem abriu seu próprio jornal para ter voz na Ilha e divulgar seus feitos. Jardim governa a Madeira há 30 anos!
Pois o madeirense pode até reeleger várias vezes seu presidente, mas confia mais no jornal independente. Os números no ano passado apontavam uma média de 17 mil exemplares/dia para o DN e pouco menos que 5 mil para o JM. Destes, a maioria foi distribuída pelos órgãos públicos e secretarias da Ilha. Mas mesmo assim, 95% de todo o orçamento da Madeira para publicidade acabou em suas páginas. Deve ter sido coincidência do acaso...
O Diário de Notícias seguiu com sua linha independente e em outubro do ano passado veio o golpe de misericórdia: um novo projeto editorial e gráfico, moderno, com forte aposta no jornalismo local. Jornalismo de qualidade, é claro. Pois então o presidente da Ilha radicalizou: agora o Jornal da Madeira é grátis! Sim, além de receber quase toda a verba oficial, o diário de Jardim é distribuído gratuitamente pelas ruas do Funchal. Mais: o preço da publicidade em geral caiu a quase 10% do valor praticado pelo DN, em uma tática de dumping jamais vista em Portugal. Tudo com a bênção do dono do jornal e presidente todo-poderoso da Ilha, Alberto João Jardim.
A operação fez barulho, mas o bom senso avisa que trata-se do último respiro de um suicida. Não há como sobreviver dessa maneira, nem com todo o dinheiro da ilha. A oposição ao presidente acordou e o Tribunal de Contas prepara uma devassa. Pelo menos ameaça.
O Jornal da Madeira é o típico jornalismo sem qualidade, parcial, recheado de inaugurações, cerimônias e muitas e muitas fotos de Jardim, além de seu terrível e temido artigo na penúltima página. Um jornal que parece os mais comprometidos das piores ditaduras. Modelo mais que antigo, enterrado a sete palmos.
Nessa onda, passado o primeiro abalo sísmico, quem tem tudo a ganhar é o Diário de Notícias, com seu jornalismo de qualidade, voltado aos madeirenses. Sem dúvidas, o caso JM é uma vergonha que mancha a terra de Camões e o jornalismo europeu.



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